domingo, 20 de agosto de 2017

O Laço


Levei um susto quando abri o blog e deparei com a data de minha última postagem! O tempo passou por aqui tão rápido, como as nuvens que assustadoramente são levadas sem destino pelo vento intenso que toma conta da noite. Sem destino ou direção, assim como me senti quando perdi meu irmão gêmeo, no dia do nosso aniversário, há pouco mais de um mês. Não preciso dizer que ele era uma pessoa mais que especial na minha vida. Porém, prometo não ser melancólica, nem conseguiria ser, porque não vou falar de perda mas, do que ganhei durante todos esses anos durante a sua existência. Há algum tempo atrás escrevi sobre a sensação de ter um irmão gêmeo e o quanto isso tem um sabor especial na minha trajetória, até porque ele sempre desempenhou com excelência esse papel. Nossa existência foi uma surpresa para nossos pais até a hora do parto. Eles não sabiam que o primeiro filho tão esperado, era na verdade, um casal de bebês. Penso que quando nascemos, as pessoas nos viram como dois bonecos amarrados pelo mesmo laço, um único laço. Como se tivéssemos selado um pacto nas entranhas de nossa mãe. Enquanto buscávamos nosso escasso espaço no ventre, cedendo um pouco dali ou daqui. Fizemos isso a nossa vida toda. Sentíamos as aflições e angústias do outro, nesses momentos um buscava o outro pelo celular ou mandava uma mensagem que era entendida imediatamente como o conforto para o coração. Numa conivência velada onde o mais importante era   trazer paz, revigorando o coração apertado. Torcendo pelas conquistas e incentivando a enfrentar os medos e incertezas para as novas lutas. Essa foi nossa relação. Organizou sua família com muita luta, tinha orgulho dos filhos que educou. Não chegou a ser avô através dos seus filhos mas, foi avô de minhas netas nas visitas em que se acabava de brincar com elas, deixando a lembrança marcante de sua alegria. Na participação intensa em todas as comemorações de aniversários das meninas.
Foi um filho espetacular, acompanhando de perto as necessidades de nossa mãe e nosso pai, me tranquilizando mesmo à distância.  Construiu uma infinidade de amizades, pessoas que experimentaram o prazer de sua parceria. Como posso deixar isso de lado?  Pensar que por mais inacreditável ou impossível que possa parecer essa realidade da sua partida, até agora nós construímos uma história tão bonita e forte que mesmo com a dor, que impressionantemente é física, real, dilacera o peito, você ainda se tornou mais forte e presente através da sua ausência. Confuso ou louco isso, pode até parecer mas, é exatamente isso que sinto hoje. Amanhã eu ainda não sei como será. Só sei que apesar de ainda chorar escondida, tenho tanto orgulho de ter tido você como meu irmão!  Nessas horas que a tristeza bate, acho que você continua a me mandar um zap, me lembrando do quanto preciso me alimentar desse amor que você deixou de sobra, aqui nesse lugar. E é isso que eu vou fazer meu irmão. Vou seguir o caminho que iniciamos juntos, célula a célula, órgão a órgão, corpo, mente, corações e emoções. Descobertas que fizemos juntos na infância, brigas da adolescência, confrontos de ideias e opiniões, consolo das perdas na vida e aplausos às conquistas. Vou prosseguir, continuar de acordo com o que está programado, alimentada pela sua alegria e vontade de fazer a diferença na vida das pessoas. E nessa tarefa você foi mestre. Principalmente na minha por isso, agradeço cada momento, cada aprendizagem, cada sorriso ou gargalhada, mensagem de amor e de alegria, calor no ventre de nossa mãe e no meu coração. Sei que um dia a gente se reencontra e deixa essa saudade de lado. Mas, por enquanto vou vivendo por aqui, segurando a fita do nosso laço. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Vida

Uma grande amiga me disse de forma tão convincente: "você precisa voltar a escrever" que fiquei com essa quase ordem martelando meus pensamentos, fazendo acontecer uma explosão de palavras e ideias que poderiam compor um novo texto para este espaço.
O tema não foi o que me trouxe aqui, mas sim as palavras que rodopiaram e foram se acomodando ordenadamente ou não pelas frases e parágrafos que formam o conjunto final. Pensei em usar a palavra "descobrir" e como ela possibilita viajar por uma série de situações que vem compondo meus dias atuais.
Imediatamente lembro da instabilidade do tempo, desse inverno caloroso que nos deixa parados em frente ao guarda roupa imaginando a vestimenta ideal para sairmos de casa. Dentro das opções de temperatura, o frio que me faz recorrer ao meu edredom que passa uma noite inteira alternando sua função, entre o aquecimento e o abandono por não ser mais necessário. É assim mesmo a minha noite, vou me cobrindo e descobrindo num exercício noturno que se confunde com a minha própria vida.
Uma vida cheia de momentos em que preciso me proteger daquilo que não me agrada, me deixa inquieta ou mesmo infeliz, nessas horas me cubro através de atitudes proativas ou de simples inércia, aguardando meu cobertor divino que me traz conforto e segurança. Já, em outras ocasiões o calor da vida me obriga a jogar para o lado a coberta protetora, me descobrindo nas diferentes reações que constroem em mim um novo perfil, um novo lado antes desconhecido e hoje possível. Numa dança invisível vou percorrendo os salões da vida com movimentos frenéticos e lentos, de acordo com a música.
Acho que já misturei os assuntos ou não. Temperatura, música, dança, descobrir são palavras que apareceram na minha mente no momento da necessidade de estar neste espaço novamente, dividindo com vocês minhas emoções. Emoções que me fortalecem e constroem um amadurecimento ainda permitido, apesar da idade descobri que ainda possa amadurecer. Melhor que isso, posso optar entre coisas e caminhos, posso decidir meu destino, meu agora, sentir meu frio ou calor de acordo com a minha sensibilidade e não do senso comum. Posso utilizar o edredom na hora que bem entender, isso não vai alterar de forma negativa a vida dos que comigo convivem. Eu vou estar bem e isso vai me ajudar a fazer bem aos outros, não ser a pessoa de mal com a vida. Estar me descobrindo, olhando para o céu a procura de nuvens e ventos que possam alterar as temperaturas, e se isso acontecer entender que isso também faz parte da vida. Vida que tanto amo. Acho que essa palavra foi a mais presente no texto de hoje: vida!  Dançou entre as frases e costurou os pensamentos. Provando a sua força e sutil leveza, sendo o meu tema preferido!

sábado, 9 de julho de 2016

Você é Especial!



   Tenho andado um bom tempo longe desse espaço. Tantas coisas aconteceram, tantas alegrias, tantas tristezas, tanta vida que passou pelos meus dias e me fez ir e voltar para lugares que talvez eu nunca devesse ter saído.
   Tantas convicções, tantas incertezas, sensação de fraqueza, sensação de força. Crianças cresceram, pessoas morreram e a única coisa que me traz de volta a este espaço é a vontade de falar do quanto tem sido importante no meu caminhar exercitar a Fé em Deus!
   Não pretendo trazer um debate sobre doutrinas ou ideologias religiosas só quero falar da minha   necessidade de me sentir fortalecida e como tenho conseguido através dessa Força Divina que me acolhe e socorre, me ampara e permite que a esperança seja presente nos meus planos de vida.      Reconheço ter falhas e erros na minha caminhada embora saiba  que nem todos estão claros o suficiente para mim. O tempo talvez abra essa cortina que encobre todas as imperfeições que preciso vencer, e até nesse momento espero que essa luz clareie de forma poderosa os arredores de minha vida e me faça mergulhar na busca do meu melhor.
  Estou aqui, me sentindo especial e querendo dizer para vocês que se propuseram a ler esse meu relato que isso não é difícil acontecer, pelo contrário é muito mais fácil do que possamos entender. Fechamos a guarda dos nossos corações e queremos que tudo seja vivido de forma espetacular. Não conseguimos nada dessa forma. O espetáculo é invisível aos nossos olhos porque acontece na troca de olhares, abraços e palavras de conforto e alegria que entregamos aos outros. Essa possibilidade de se fazer a hora, o dia ou a vida de alguém um pouco melhor. O entendimento de que estamos aqui para fazer e não para ficarmos esperando acontecer nossos sonhos.
  Muitos poderão dizer que estou me sentindo especial por vaidade, soberba mas não é disso que estou falando. Vivencio a possibilidade de ter, apesar de tudo, uma sensação de colo de pai, carinho de mãe, cheiro de vó no cangote dizendo eu te amo. Precisamos nos sentir amados e o primeiro amor que temos a certeza é o de Deus. Caminhar com esse calor não elimina as pedras mas nos ajuda a olhar com mais cuidado o nosso pisar entre elas.
  Precisamos desejar coisas boas e vibrar com essa energia que recebemos e nem entendemos direito o valor que ela tem mas, esses desejos amenizam as dores e floreiam as almas.
  Precisamos nos sentir especiais sim, fazer do outro especial em sua vida e agradecer as oportunidades que nos são oferecidas para gerar essa combustão divina! Afinal você que está me lendo agora também é Especial!!!

sábado, 29 de agosto de 2015

Isabella é bela!


Esperei alguns dias para poder despejar toda a emoção de receber minha 5ª neta. Quando falo desse numeral todos se espantam  “só mulheres????”  sim é um time de peso, com direito a variedade de personalidades, sentimentos e emoções que fazem com que minha vida esteja sempre em movimento.
Hoje, como fiz com todas as outras quatro meninas, venho agradecer a Deus pela chegada de Isabella. Sem ser pretenciosa, confesso que eu já imaginava o quanto ela seria bela, fazendo a rima com o nome escolhido por seus pais. Digo isso sem corujices de vó, é uma constatação real estampada nas fotos e atestada pessoalmente. O que nós ainda não sabíamos é que ela seria uma guerreira desde já, nos deu um susto, ficou lá no seu cantinho com cuidados especiais e demonstrando uma força misteriosa. Impressionantemente forte!!! Superou as expectativas e agora está pronta para assumir a família que veio completar.
Quando olhei para aquela pequena tive a sensação de estar sendo mais uma vez presenteada na minha vida. Agradeci pelo tempo concedido a mim de conhecer uma menina que logo conquistou as pessoas que a rodearam de cuidados especiais mas, que teve de certa forma de fazer brotar um amor tão intenso, um desejo de se estar com ela e garantir a sua participação nas histórias da família.
Ela se superou,  Isabella está firme e gritando num choro miúdo os seus desejos e necessidades. Disputando espaço com sua irmã Alice, que logo fará uma parceria incrível de artes e brincadeiras me deixando com mais cabelos brancos. Adoro!!! Ainda não pude segurá-la no colo, cuidados essenciais a manutenção do seu bem estar mas, posso sentir no seu olhar uma promessa de momentos maravilhosos na minha voternidade.
Ainda me permito ficar impressionada com o poder divino de, a cada criança, promover uma revolução de sentimentos e reflexões sobre o que realmente importa nessa vida. Isabella veio trazendo luz e alegria, certeza de que o impossível é possível, fortalecendo os corações e massageando nossas almas que por vezes se sentem abandonando nossos corpos, quase desistindo. Isabella restaurou fragmentos de dúvidas e transformou em certezas. Certeza de que vale a pena apostar na renovação da vida através de uma criança, que elas sempre trazem consigo uma missão particular, um efeito especial para inserir nas nossas histórias mal escritas por nós mesmos. É luz transformada em alegria por se sentir escolhida para ser parte da sua família. Obrigada Isabella por chegar de forma tão revolucionária e nos fazer acreditar nas chances que temos de reescrever lindas histórias, como a sua história que se fez nossa. Minha bela Isabella!!!
 

domingo, 21 de dezembro de 2014

Obrigada 2014, que venha 2015!!!!

Estamos fechando mais um ano e a sensação de alívio invade minha alma. Sei que devemos sempre agradecer a Deus por tudo mas, infelizmente, este ano foi especialmente digno de se ver pelas costas. Podemos caminhar por entre as tristezas vividas e deixar que a esperança de dias melhores tome conta dos nossos sonhos, aliás, essa é a melhor saída. No entanto, não dá para ser hipócrita. Ano de perdas, doenças, tristezas que rasgaram meu coração. Espero um ano de 2015 com mais encanto, desafios deliciosos de serem vencidos, mesmo com dificuldades que é o normal da vida. Desejo enfrentar novas lutas com mais maturidade. Isso até que vai ser fácil, pois a cada ano a idade cronológica apresenta um perfil de experiência de vida que facilita os passos e rumos que devemos seguir. Enquanto escrevo, um filme vai passando, lembrando o quanto foi difícil superar alguns desses atropelos de 2014. Entretanto, estou aqui, ainda inteira, sobrevivente. Penso que tudo que vivi foi doído, marcando meu coração de angústias, mas, também foi alimento para meu desenvolvimento como ser humano. Conheci pessoas que se apresentaram como grandes amigos e que hoje fazem parte da minha história. Caminhei nas trilhas do reencontro com a saúde, da superação dos golpes, da aceitação dos desígnios de Deus. Pensando bem, sei que Ele fez o melhor que podia por mim. Ele sempre tem o melhor para mim. Vivi experiências profissionais completamente desafiadoras e humanizadoras. Senti a sensação de dever cumprido e o gostinho do quero mais na minha vida profissional. Aprendi muito, errei muitas vezes, mas também acertei alguns alvos. Minha família está mais fortalecida e unida pela necessidade de amor e partilha. Vou ver este ano ir embora como um barco que leva lembranças, bagagens que não necessito mais carregar, dou adeus no cais e volto mais leve para a próxima jornada. Precisava escrever sobre isso, fazer um levantamento, refletir, tomar consciência daquilo que realmente é importante levar para 2015. Fé, esperança, alegria, saudade, vontade de fazer diferença na minha vida e de outras pessoas. Vou levar comigo a alegria de conviver com minha família e meus amigos, a minha vontade de viver fazendo aquilo que me faz feliz e me realiza, não posso mais reclamar do ano que está terminando, afinal ele é o motivo de sentir um novo pulsar do meu coração,  ansioso por mais um ano. Obrigada 2014, que venha 2015!!!!

domingo, 3 de novembro de 2013

MISERICÓRDIA

Nos momentos de aflição geralmente, em nossas orações, usamos uma palavra que traz tantos sentidos e ao mesmo tempo amorna o frio que sentimos do medo que se instala e nos faz tremer. Palavra dita no desespero que expressa a necessidade do atendimento imediato, como se ao pronunciar a mesma, uma porta se abrisse apontando um novo caminho, um novo trilhar, uma possibilidade de seguir. Misericórdia é a palavra!  Misericórdia... esta palavra que se transforma  na chave da esperança. Pedimos e ponto final. Aguardamos os acontecimentos certos que a força da expressão será a realização do pronto restabelecimento do que se faz tempestade no nosso viver. A compaixão do coração, principalmente quando é o Divino Coração, é a maior prova de Fé que podemos experimentar. Nesses momentos de angústia, do não saber o que esperar, da improvável solução de uma situação, do escuro instalado como se uma venda fosse colocada em nossos olhos, uma luz se aproxima apresentando os caminhos a serem seguidos, desatando os nós dos emaranhados da vida, como uma escova a desbravar cabelos desalinhados e entrelaçados pelo vento que insiste em soprar. Experimentar a espera do tempo de calmaria é um exercício de tolerância e renovação. Isso porque existe um tempo a ser vivido entre a "tragédia" instalada e a misericórdia alcançada. Um tempo de reflexão, certezas, dúvidas, reconstrução daquilo que se desmoronou. De certa forma precisamos tomar cuidado para que, ao final da trajetória, não sejam esquecidos os sentimentos que geraram o apelo. As dores adormecidas podem ser convocadas a qualquer momento, reforçando a importância do milagre atendido. A vida é um milagre, constatação pública que se torna particular por vias tão intensas de dor, às vezes desnecessárias de serem transitadas, porém importantes para se traçar novos caminhos. Estar vivo é um milagre, cada qual com o seu tempo e a sua expectativa, até se descobrir que de um segundo para o outro tudo pode se tornar obsoleto, ineficaz, desnecessário. Então, estar vivo passa a ser o verdadeiro milagre! Exigência de novos pensamentos, cobrança de novas atitudes, chance de recomeçar, remediar e cortar males. Aprender através da misericórdia recebida a distribuir o que há de melhor no coração, não mais miséria mas, a riqueza de sentimentos que podem fazer a diferença e permitir que outros possam sentir a importância do viver e de transformar essa vida em algo melhor para os seus e, principalmente para si mesma. Aproveitar o tempo estendido, a prorrogação. Enxergar mais as alegrias, ouvir mais as declarações de amor e distribuir tudo isso com muito carinho, retribuindo o presente Divino. Agradecendo a oportunidade de através das circunstâncias ter conhecido um pouco mais de si, um pouco mais dos que lhe estenderam a mão, das pessoas que de uma forma ou de outra partilharam o seu milagre, seguraram e fortaleceram a sua Fé no ser humano. Agradecer aos anjos que se aproximaram e mostraram suas faces humanas, amigas, comprovando e reconhecendo a sua Fé na existência divina. Obrigada Meu Deus por sua Misericórdia!!!


domingo, 25 de agosto de 2013

Nascemos nus?

As crianças quando nascem recebem imediatamente um choque de ordem, sua nudez é banhada e adornada com as roupinhas escolhidas para serem as primeiras a transformar o pequeno ser, em alguém "apresentável" à vida. No fim da estrada não deixamos esse mundo da mesma forma, a preocupação com o adorno continua, o corpo que já não grita, nem chora com o desconforto do asseio é preparado.para uma entrega apresentável à morte. Princípio e fim se confundem nas ações e  nos sentimentos.
Revivendo essa fase de recém nascidas à minha volta, com as netas que chegaram num grande pacotão de Deus, começo a pensar: nascemos nus???
Os sentimentos negativos de um bebê, que acaba de chegar ao mundo, geralmente se apresentam em forma de choro e estão ligados à sensação de fome, ao incomodo da fralda suja ou à grande dor da cólica que maltrata e desgasta os filhos e os pais. A cólica parece ser a primeira  prova incontestável da nossa incompetência em poder fazer tudo para não deixar nossos pequenos sofrerem, engano nosso, mesmo com medicação, colo e alimentação adequada, a destruidora de noites de sono ainda pode vencer e acabar com nosso poderio paterno.
Tais sentimentos negativos alimentam nosso dia a dia aos poucos e chegam com a convivência na vida aqui, fora do ventre.
Entretanto algumas atitudes chamam  atenção, pode ser o sorriso que surge de forma natural quando a criança olha para alguém e sente que está recebendo um olhar de amor. Ou mesmo, o sorriso que pode ser expresso quando adormece e nos deixa atordoados imaginando o sonho que possa estar motivando essa alegria. As deliciosas gargalhadas que são espontâneas acompanhadas pelo brilho nos olhos que insistem em dizer - me faz rir de novo, é bom, é gostoso. Além daquele  jeito charmoso de chamar a atenção para si,   acariciando nosso rosto com pequenas mãos,  ainda sem direção pela ausência da coordenação. Tudo novo mas, impulsionado por um sentimento positivo, bom e leve, desprovido de censuras e disponível para todos que estão à sua volta. Basta sentir no outro a mesma energia. Penso que isso se chama AMOR. Nascemos encharcados de amor, tal qual uma esponja  imersa numa bacia de água, chegamos com um estoque abundante daquilo que deveria girar a grande roda da vida.
No entanto, vamos aprendendo, principalmente com nossos pais, que o lado mal também existe e que precisamos saber nos defender. Volto a pensar e trocar ideias com pessoas que me alimentam de novos olhares, uma delas lembrou bem (grande amiga Edna) - os animais nascem e imediatamente vão ganhando independência e destreza para lidar com a vida e nós, pobres seres humanos, "nos achamos" mas começamos e muitas vezes terminamos nossas histórias na dependência total do outro. Nessa hora tenho a certeza: o que vai garantir que essa troca de energia aconteça é aquilo de que fomos providos ao nascer, aquela mola propulsora de nosso viver - amor.   Posso estar sendo chata por fazer rodeios com as palavras mas, acho que me fiz entender (ou não).
Não nascemos nus! Nascemos prontos para seguir nossa caminhada recebendo e ofertando aquilo que temos de melhor, a escolha das ofertas é nossa, o alimento de nossas ofertas é do outro. Uma troca que começa no primeiro banho, uma troca que termina quando somos arrumados para nossa despedida. Não nascemos nus! Podemos passar por essa vida nos vestindo a cada dia de cores com energias iluminadas e revigorantes ou usar a mesma roupa surrada e desbotada com tons escuros, sem cor.
Ainda bem que temos sempre a chance de repensar nosso armário. Repensar nosso fazer, nosso agir, nosso caminhar, para que possamos sempre sorrir ou mesmo gargalhar com as alegrias da nossa vida. Acariciar faces que nos fazem ser feliz, mesmo com palavras. Temos a chance e precisamos enxergá-la, sentir o momento e a oportunidade, sem desperdiçar o que nos é oferecido. Vestindo e colorindo nossa alma, iluminando não só a nossa mas também as outras vidas.

domingo, 18 de agosto de 2013

Alice no mundo das maravilhas....


Estou atrasada, na verdade foram mais de 30 dias de observação para poder chegar aqui com mais segurança. Alice, minha quarta neta chegou! Apesar do vasto currículo de avó , a emoção da sua chegada foi indescritível. Olhei para aquele rostinho minúsculo, corpo franzino dentro dos seus dois quilos e trezentas gramas e.chorei. Agradeci a Deus por mais essa vitória na vida. Ter a oportunidade de viver o nascimento saudável de minha garotinha, ela venceu a batalha da instabilidade intrauterina. Gritou, berrou, tentou agarrar no braço da enfermeira que insistia em dar-lhe o primeiro banho. Ali ela já se apresentou à vida, uma guerreira, lutando por seu conforto e bem estar. Seu primeiro mês foi uma escola viva de maternidade e paternidade. Aos poucos seus pais vão descobrindo quais são suas necessidades e amenizando a angústia da fome, do frio, do sono. Fica fácil para Alice que mais parece o coelhinho do lindo conto de fadas ....no pais das maravilhas, o personagem que tinha hora, vivia com pressa. Assim é  ela, não gosta de esperar, quer ser atendida imediatamente nas suas necessidades. Está certa, precisa ter todas as atenções voltadas para si. Durante seu sono, suas feições apresentam um desenho perfeito. A recém nascida  parece uma boneca, tipo aqueles bonecos de bebês que nos deixam na dúvida, de tão perfeitos que são.
Tem a necessidade de se sentir acompanhada, por isso não se deixa ser abandonada no berço com facilidade, seu olhar é profundo, um olhar que intimida, que cobra. Como era de se esperar, já está uma "bolinha", deixando para trás a imagem da fragilidade mas sem perder o ar de menininha. Tenho muita sorte de poder viver minha voternidade com tantas nuances e diferenças. Alice vem fortalecer nossa família, é a prima que faltava para que junto com as outras meninas possam transformar a casa da vovó no país das maravilhas. Lugar onde rainhas e coelhos vão abrir para ela as possibilidades de crescer entendendo que sua existência fortalece  o peso do valor de família. Sei que vai estar a frente do seu tempo, marcando seu espaço e alimentando a vida dos seus pais com amor. Além de apresentar para eles uma nova visão de mundo que pode até não ser das maravilhas com noites mal dormidas e novos parâmetros de como viver com um novo olhar sobre o que é prioridade - ela. Contudo,  gera uma nova verdade e direção para suas vidas, para nossas vidas. Alice está crescendo, aprendendo a lidar com esse mundo aqui,. fora do ventre que a protegeu durante tantos meses, está crescendo ensinando a todos nós a  valorizar o que realmente precisa ser  - a importância da compreensão, da tolerância, da dedicação de amor à uma criança. Tomando seu espaço e lugar nos nossos corações. Seja bem vinda minha pequena Alice, que você possa contribuir para transformar nosso mundo, num mundo das maravilhas.







sábado, 9 de março de 2013

A Mulher e o Tempo...



Tudo bem que todos os dias deveriam ser considerados especiais para nós, mas entro no bloco e aceito todas as homenagens recebidas, sem deixar de parabenizar as mulheres que fazem parte da minha história. O dia já está acabando, quase não consegui tempo para sentar em frente à tela e escrever para nós Mulheres. Tempo?! Lembro da música "és um senhor tão bonito...tempo, tempo, tempo, vou te fazer um pedido"...esse Senhor que comanda nossas vidas, como um domínio do gênero masculino que já começa a incomodar. Penso que hoje alcançamos muitas conquistas contabilizadas como lucros e que às vezes se revertem em perdas para nós mesmas, a dupla jornada é um exemplo disso. Discutimos durante anos a evolução social e política das mulheres, a questão dos papéis, a violência doméstica, a desigualdade, com um trabalho na mídia, na escola e na sociedade em geral. Porém, ainda precisamos repensar muitas questões femininas promovendo uma desconstrução e um empoderamento de mulheres reféns da sua própria vida. Ele chega e incomoda novamente, o "tempo" de fechar meu texto. Lembro-me das mamadas de três em três horas, nós mães olhando para o relógio com a angústia de terminar as compras do mercado, antes do horário da próxima mamada. A hora do banho e do almoço para chegar com o filho na escola, não dá pra ter nem uma dor de barriga fora de hora, atrasa tudo. Filhos crescem, olhamos para o relógio durante a madrugada à espera do abrir porta, finalmente ele ou ela chega da balada. Mas não é só no papel materno que esse relógio cisma em andar independente do que eu tenho para fazer. Já marcou manicure na hora do almoço do trabalho? A profissional tem de ser boa para dar tempo. Horário da faculdade, entrar atrasada na sala é horrível, a gente se perde toda. Encontrar com namorado, marido, namorido, não importa quem, importante é chegar na hora e ter tempo disponível para estar com ele, senão a relação começa a balançar. Vivemos em constante cobrança a nós mesmas. Acabamos forçando a ação de uma Mulher Maravilha que na verdade não possui nenhum poder extra. Então se machuca tentando se desdobrar em mil, se quebra, se rompe e corrompe nos seus ideais. Abandona sonhos, lutas, desejos, abre mão porque acredita que seu tempo não é seu, é do outro. Quando de repente, temos a chance de pegar um livro e na nossa varanda, a qualquer hora da noite, ler sob os cuidados das estrelas, nos assustamos, temos esse direito? Posso realmente usufruir desse tempo só para mim, ele é meu? Claro que podemos, mais que isso, devemos! Somos seres cheias de liberdade, do livre arbítrio para fazer aquilo que nos faz bem. Tenho direito de decidir como usar o meu tempo e se ele vai ser direcionado para minhas necessidades de qualidade de vida. Compromissos, agendas, sempre irão existir, mas não podem comandar a nossa vida, só devem organiza-la. Nós, mulheres, geralmente estamos a serviço. Precisamos romper com isso, sem culpa, sem cobranças. A nossa consciência estará sempre tranquila, se a qualidade do nosso tempo estiver atendendo às nossas necessidades humanas, com certeza todos que estão à nossa volta também se sentirão melhor, o reflexo é imediato e o ciclo se fecha, tudo no seu tempo...

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Muito prazer...Sophia



Levei algum tempo para estar aqui, na verdade quase um mês. Poderia dizer que foi o corre corre dos últimos dias mas, não vou inventar desculpas. Já escrevi para minhas netas e, de certa forma as palavras chegavam e formavam exatamente na mensagem o que eu sentia e queria passar para as pessoas. Dessa vez foi diferente. Na saída da sala de parto o pediatra gritou: avisa à avó que a cópia da Ágatha nasceu! Olhei para aquela menina e induzida pela fala tentei identificar as caracteristicas que iriam facilitar o aprendizado de lidar com ela. Ficamos no quarto, a noite foi longa - ela marcou sua chegada! Confiei no meu currículo de avó e achei que já sabia tudo. Não, me enganei...ela não é cópia, é original. Original e única com a sua pele rosada e seus cabelos castanhos, uma boca desenhada pelos anjos.  Apesar do tamanho e peso tem dedos longos contradizendo a impressão de fragilidade. Uma menina que saiu em poucos dias da sua condição de recém nascida e já apresenta-se como um bebê robusto e cheio de vida,  revelando sua força. Olhar desconfiado, olha de lado,  como se quisesse dizer - estou só te observando, descobrindo quem você é...descobrindo o que você tem de bom para me oferecer, o que você pode me ensinar sobre esse mundo que é tão grande.
Sabe exigir o que quer - fome, desconforto, dor - ela não permite que  façam parte da sua adaptação ao mundo. Tem força, se estica e abre os braços como quem vai dar um grande abraço na vida que se inicia.  Meu amor de "vó" vai sendo alimentado a cada banho. Ela sabe aproveitar o momento de conforto e prazer, a água batendo e refrescando a nossa conversa. Um gemido aqui, uma canção ali, uma batida com a perna que agora já não me dá medo  segurar. Gosto de observar o seu sono, sorri muito, fico imaginando o que está sonhando, como esse pensamento está se formando na sua mente. É um sorriso solto, gostoso, leve e verdadeiro. Linda, linda, linda...mesmo quando tenta caber nas roupas que deveriam enfeitar, mas sobra espaço. Uma menina que chegou para marcar com a sua presença a vida de todos nós, trazendo o aprendizado da partilha e provando o quanto podemos multiplicar nosso amor. Marcando seu espaço e seu lugar na sua família, completando a história das pessoas como num jogo de quebra cabeças. Era a peça que faltava para completar o tabuleiro.  Não dá mais para imaginar aquela casa sem a sua presença. Ela veio no momento certo, na hora devida para dizer a todos que a vida é isso - uma renovação surpreendente.  Agradeço a Deus pela oportunidade de estar vendo meus frutos, os verdadeiros frutos. E ela poderosa e altiva, com sua sabedoria e sensibilidade já se apresenta, já faz presença - Sophia, muito prazer em recebê-la em nossas vidas, muito prazer em ser parte da sua vida.

sábado, 29 de dezembro de 2012

A Grande Festa


 
Estamos quase prontos para a Festa! Os últimos ajustes já estão sendo dados, detalhes na decoração da mesa, roupas brancas sendo passadas tentando tirar todas as rugas que insistem em fazer parte do modelo escolhido para a noite. Bebidas na geladeira, o calor exige um cuidado especial na temperatura dos “bebes”, já os “comes” precisam ser leves e saborosos com gostinho especial de tempo. A Grande Festa está chegando criando uma expectativa de que algo muito maior vai acontecer ao tocar das doze badaladas. Como Cinderelas que esquecem seus sapatinhos corremos para o futuro pensando que o presente já virou passado. Nosso príncipe pode ser qualquer coisa, mas tem de surgir no brilho dos fogos de artifício que iluminam o céu, iluminam nossas almas. Um príncipe chamado esperança, só isso ou... tudo isso. Vivemos cada momento da nossa vida impulsionados por ela – a tal da esperança. Acordamos acreditando que nosso dia vai ser maravilhoso e, ele assim se torna, mesmo com os atropelos que interrompem nossas alegrias. Algumas pessoas enxergam somente o acidente, o pesado, o sujo, essas com certeza não conseguem um bom saldo ao entardecer, descobrem que anoiteceu porque olham para o lado de fora da janela e vislumbram a lua instalada em seu posto, apesar do parceiro sol ainda estar lá, caminhando para a sua jornada do outro lado do mundo. São escolhas que fazemos -  agradecer e confiar que tudo vai ser melhor, nessa opção o que muda é a ação. Agimos para que nossa crença se concretize, fazemos o melhor e, mesmo quando a realidade não contempla por inteiro os nossos sonhos, olhamos para os saldos e as novas possibilidades. Isso pode até ser uma forma de caminhar para o futuro vivendo o presente e aproveitando o que foi de melhor no passado. Exercício que se instala no nosso dia a dia de forma natural quando acreditamos na Festa interior. O show da virada acontece no palco do coração, comandamos nossos acordes de acordo com a melodia que desejamos que seja a nossa trilha musical. Depois de preparados para nós mesmos, estaremos preparados para as pessoas, para os abraços, para os desejos que serão energizados com positividade, criando uma força que nos permite dizer – o mundo está conspirando a favor do próprio mundo. Independente dos desejos, dos “quereres”, dos poderes. Estaremos aproveitando a Grande Festa irradiando um momento único onde todos à meia noite se concentram na esperança. Nesse minuto de troca de tempo, tornando o presente em passado e o futuro em presente, o filtro de minha alma só segura as mágoas para depois descartá-las, mas deixa passar as alegrias para ficar saboreando uma a uma bem devagarinho a cada segundo de felicidade.  Ao final da festa cada um vai decidir o que fazer com seus caminhos e expectativas que foram geradas pelo espírito de alegria. Aproveitando as mudanças, lembranças, andanças, esperanças. Afinal, tudo rima com vida, pelo menos com a minha que será rodeada de crianças. Símbolo maior de renovação e desejo de preparo da próxima Festa. Um Feliz Ano Novo a todos para que o Novo Ano seja Feliz!!!

domingo, 23 de setembro de 2012

Ser pedra ou ser vidraça

Meu espelho do banheiro quebrou, tenho que providenciar a troca mas acabo adiando, vou invadindo outros espaços na minha casa e utilizando os espelhos que encontro. Faço isso de forma mais rápida do que a habitual, tento não atrapalhar a rotina de ninguém. Acho que é uma boa desculpa para não me fixar nas marcas que estão sobressaltando no meu rosto. O tempo está passando e elas lá, gritando que não adianta ter cabeça de 30 porque a "carinha" não mente. Não me preocupo tanto assim com essas coisas de idade, nem sei porque inicio esse texto com essa referência. Entretanto, quando paro para pensar no tempo que já utilizei da minha história, que eu nem sei o tempo que terá, fico imaginando o quanto ainda quero realizar. Filhos e netas trazem novos olhares para nossa vida, perpetuam nossa história e nos dão gostinho de quero mais. Quero mais tempo para realizar as coisas que estão por vir. Quero mais tempo para olhar o rostinho da minha garotinha que está se formando no ventre de minha filha e de outros que, com certeza, também chegarão através dos outros filhos. Tempo que não é decidido por nós mas, podemos contribuir para esticar nossa estadia. Menos estresse, aborrecimentos, pedras. Isso mesmo, as pedras que interferem no nosso caminhar. Machucam e ferem nosso coração. Outro dia ouvi a expressão: "podemos ser vidraça ou pedra" - depende da situação. Muito boa a comparação! Fiquei fazendo uma avaliação das vezes que fui pedra e do quanto feri pessoas, quebrei suas vidraças e as deixei-as vulneráveis à chuva e ao vento, ou mesmo ao sol forte. Ser pedra é ser causador de danos, quebrando as vidraças expomos as pessoas e às fragilizamos, de forma covarde, agressiva e desumana. Quando quebramos vidraças não só atingimos nosso alvo como as pessoas que estão à sua volta. Todos sofrem as consequências dos cacos estilhaçados pelo chão, correm o risco de cortar os pés tentando limpar os estragos. Recolocar os vidros demanda tempo e trabalho, orçamentos e disponibilidade para fazer o concerto. Tacar pedra é fácil, rápido e muitas vezes não temos nem a noção do tanto que impomos na força do braça arremessador. O ato é instintivo, pode até ser impensado e digno de arrependimentos futuros. Irreversível! a vidraça já está estilhaçada e mesmo depois de recomposta,  a nitidez da janela pode não ser a mesma, fica a insegurança, o medo de uma nova pedrada. Por tudo isso, posso dizer que as marcas no rosto, tem me ajudado a evitar ser pedra. São muitos os prejuízos consequentes desse ato insano. O tempo não é cruel como muitos dizem e querem nos fazer crer, o tempo é o promotor de sabedoria, quando olhamos e refletimos nas lições que ele nos apresenta. Precisamos saborear e internalizar cada uma delas. Quero ser vidraça, mesmo correndo todos os riscos das pedradas. Não quero ser detentora do julgamento do certo e do errado, quero viver o que acho certo e não dar pedradas naqueles que não concordam comigo. Quero ser vidraça e receber o sol, a chuva, o vento de forma a proteger os que amo e me fazem sentir a mulher mais feliz do mundo. Quero ser vidraça limpa e transparente, mesmo que as pessoas me vejam embaçada. Pode ser que com um paninho e um pouco de boa vontade elas possam enxergar melhor as minhas idéias. Tenho que aceitar que o olhar sempre será do outro, diferente do espelho do meu banheiro onde o olhar é só meu. Eu comigo mesma, eu com minhas marcas, eu com minha história, eu com meus ideais. Eu com minhas janelas, eu com minhas vidraças. Eu com meu espelho, que preciso comprar para o meu banheiro.

domingo, 19 de agosto de 2012

A quem interessar possa...

Temos vivido tempos de conflitos ideológicos. É o período de eleições quando as pessoas se manifestam ou não sobre seus candidatos, acreditando estar no exercício da democracia. Entretanto, hoje apresentamos um perfil diferente de outras eleições, a explosão do uso das redes sociais, que bombardeiam notícias de todos os lados. Seria muito bom se a tão desejada democracia estivesse fundamentando a divulgação dessas notícias. Infelizmente não é isso que temos visto pois, as pessoas tem aproveitado para trocar farpas e agredir uns aos outros, revelando através de suas palavras digitadas num teclado solitário, um perfil antes desconhecido. Me assusto com determinadas pessoas que usam de sarcasmo, deboche e ironia para manifestar o seu querer, a sua ideologia política. Em algumas situações parece que tentam enfiar pela "goela abaixo" a sua verdade, como única e aceitável.   Tenho medo de, sem perceber, acabar seguindo pelo mesmo caminho. Por isso  tento me cuidar, mesmo acreditando na minha opção partidária.  Até porque, o convencimento daquilo que se acredita não vem só nesse momento, mas durante toda uma trajetória de trabalho e ação política - minha opção já foi feita.  Acredito em propostas que contemplem e completem meus ideais.  Essa escolha não está vinculada a comandos ou desmandos, simplesmente por ter a consciência de que meu voto precisa ser um dispositivo gerador de benefícios públicos.  Podem até dizer que estou usando de demagogia, não ligo, sei muito bem o que podemos fazer e transformar através de um trabalho coletivo e comprometido. Sei muito bem o que quero e pelo que luto. As pessoas que me conhecem também, se alguém duvida é porque não me conhece, não faz parte da minha história. Uma história que conta e contou com muitos amigos que profissionalmente se envolveram e abriram muitas possibilidades de transformação nas histórias das pessoas que atendiam. Outro dia, uma pessoa me disse de forma agressiva que minha opção política servia para atender meus interesses particulares. Engoli uma meia dúzia de palavras que poderiam transformar aquela conversa em algo não muito agradável mas, fiquei pensando naquela situação não como uma constatação negativa. Pensei nos meus "interesses", lembrando do seu significado em Latim -  “ser de importância, fazer diferença”, literalmente “estar entre”, de INTER, “entre”, mais ESSE, “ser, estar”. Não posso me chatear com a suposta acusação porque essa é minha proposta de vida - fazer a diferença para aqueles que precisam, estar entre essas pessoas que necessitam de um trabalho sério e comprometido. O mesmo "amigo" poderia dizer agora, "ah.. eu disse que era interesse particular!" e respondo a ele e a quem interessar possa que É! Eu quero e preciso  acreditar na transformação, em tudo que já conseguimos e naquilo que ainda se pode fazer, independente de posto ou cargo mas, do compromisso com a minha ação profissional, com uma filosofia política que também vai pensar e potencializar o indivíduo até ele se tornar parte do público - do grupo maior que faz girar e gerar uma cidade, uma cidade educadora, uma cidade humanizada. Fazendo a diferença com a união de nossas forças. Quem quiser a mesma coisa, é só vir comigo, quem não quiser também continuará a ser meu amigo.

sábado, 2 de junho de 2012

PREVISÕES IMPREVISTAS



 A escuridão já não toma conta do meu quarto, finalmente amanheceu! Posso levantar e sair do sono instável e cansativo. Noite movimentada na minha cabeça refletida nos meus pesadelos. Não tenho hora, mas meu corpo pede que saia da cama incomodada pelas dores. Preciso de um café, despertar e agir. Não sei bem o que vou fazer, hoje não tenho de trabalhar, o fim de semana chegou e fico perdida. Tanto por fazer, mas é preciso vencer a vontade de ficar à toa. Acho que estou melancólica, na expectativa do novo e do renovo. Sempre acreditei que nossa vida é formada por ciclos, sei que estou fechando um deles, talvez seja essa a minha ansiedade – o amanhã. Tantos caminhos e algumas trilhas que se encaixam e embaralham os pensamentos. De certa forma é bom sair do estado de “conforto da mesmice”. Novas situações se apresentam e a partir delas, a vida vai tomando outros rumos. Estou meio embolada nas palavras, acho que foi por isso que levantei da cama, embolada nos lençóis, embolada nos pensamentos.  Adormeci e acordei com minha ansiedade prematura. Uma luminosidade invade a tela do meu computador, dou conta do tempo, visualizando um sol lindo que não foi anunciado ontem, o tempo deveria estar nublado e chuvoso. Erraram os homens da meteorologia, as nuvens existem, no entanto o astro rei se embrenhou entre elas e se fez aparecer, tirando a umidade da roupa que está no varal. Isso não era previsível. Tenho então a resposta dos céus.  Não existem previsões certeiras, não existem certezas, as coisas vão surgindo e quando necessário nos embrenhamos entre as nuvens pesadas resistindo. O dia nasce e o amanhecer ilumina os pensamentos, a escuridão da noite precisa ser de descanso e fortalecimento do corpo e da alma. Pesadelos servem para mostrar que nossos sonhos não são reais, porém podem se concretizar através das nossas atitudes. A dor no corpo começa a ceder espaço para uma necessidade de movimento e busca. A melancolia foi dissolvida no açúcar do café quente e revigorador. Tenho uma lista de motivos para me embrenhar entre essas nuvens, sigo então minha aventura do novo e do renovo, quero me surpreender com as surpresas da vida.  Vou à varanda e apalpo a roupa do varal tentando dar espaço a nova remessa da máquina de lavar. Ela já não está úmida, assim como meu coração também já se aqueceu. Agradeço a Deus por me permitir essas reflexões, agradeço aos amigos por me permitir dividir com vocês esses devaneios. Tenho certeza que meu final de semana vai ser maravilhoso, já estou cheia de planos, vou viver!!!

domingo, 15 de abril de 2012

Só...

Palavra tão pequena que envolve coisas tão grandes. Não sei direito a sua origem - de vez em quando gosto de estudar as origens, mas dessa vez não vou buscar os diversos significados deste monossílabo.  Até porque estamos sempre utilizando ou vivenciando situações na nossa vida que necessitam do seu uso.
Não pretendo seguir uma linha depressiva,  pelo contrário, minha intenção é reflexiva. O estar em determinados momentos é muito mais prazeroso, vale lembrar o velho ditado: "antes do que mal acompanhado". Quando se está com seus pensamentos, podemos pensar sobre o ser eu. Redescobrir nossos medos e coragens, redefinir nossos caminhos, redesenhar nossos sonhos.
Vocês podem estar me questionando: mas nós vivemos em grupos?!  Claro, nossas rotinas são permeadas por ritos sociais, coletivos. Por isso não podemos esquecer que estamos sempre esbarrando com nossas necessidades de apoio e ajuda, de uma palavra amiga. Nesses momentos podemos ser considerados únicos e especiais, não mais uma pessoa, fazemos a diferença. Ser uma das pessoas que contribuem para o avançar do outro. Para que iso realmente aconteça, precisamos ser o tipo de gente que quer ser feliz e ver o outro também feliz. Não exercitar o jogo do olho por olho.
Também tem o do " porque..." quando tentamos justificar o injustificável. Expressão que ameniza as nossas culpas. Resposta para apontar nos outros e nas situações as razões daquilo que fizemos e que não é ético. Geralmente são as crianças que mais utilizam. Estão aprendendo e sendo educadas para a vida. O perigo é perceber que alguns adultos,  esquecem que cresceram e continuam  a utilizar esse recurso. Defendem-se atacando.
Lembrei de mais um só, esse chega ser cruel! " por isso...  Parece com o termo do parágrafo anterior mas, observando bem vamos ver a diferença. O problema existe a partir do momento em que o "isso" é uma coisa de valor e importante, para uma pessoa. Desdenhamos e desvalorizamos atitudes e emoções. Sei que também fere a ética, penso que fere muito mais, pois fere as pessoas.  Pensar que o sentimento do outro não tem sentido, ficar triste ou alegre, com raiva ou tranquilo, magoado ou indiferente... por isso?
Ainda tem o do único. Vamos ver o que nos interessa... Dando a idéia que existe unidade no plural, verdades absolutas. Desconsiderando variedade de pensamentos, direito de diferenciar-se, liberdade de escolhas e linhas de conduta. Como se não pudessemos sonhar, acreditar no nosso sonho e colocá-lo em prática. Ter uma utopia, transformá-la em vida ativa. Ver acontecer o que se pensou, mesmo que não atenda aos anseios de todos. Aliás, sei que é impossível ser unânime. podemos ter a certeza de que nossas verdades são importantes, quando elas transformam outras verdades, trazendo mudanças positivas para as pessoas. Descobrimos que assim a  vida passa a ter sentido.
Sou minha primeira leitora e depois de tantas palavras e pensamentos gerados a partir de uma pequena palavra, me sinto aliviada por ter a oportunidade de escrever sobre algumas coisas que me incomodaram essa semana.  Agradeço pela parceria na leitura mas, por hoje é só...


 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Espelho

   Quando resolvi criar este Blog minha intenção era a de escrever sobre as coisas que acredito e penso para, através das leituras dos amigos, trocar as idéias e reflexões que surgissem a partir dos comentários. Tem sido muito legal, ser lida e ter um retorno registrado ou comentado pessoalmente sobre as questões que abordo. Troca - esta é a palavra!  Estou aqui sentada, teclando as letras e transformando-as em frases que vão tornando legível os meus pensamentos. Outros que as recebem, devolvem os seus, imersos nos seus valores. Energia que vai e vem. Reforço vital de neurônios, corações e emoções.
   Hoje, descobri uma outra forma de trocar, por uma incrível coincidência, se é que elas existem. Estava conversando com uma grande amiga no trabalho -  Mara Marques,  que me falou com seu jeito meigo e sincero que eu deveria estar me olhando mais no espelho. Sua intenção era  elogiar minha aparência e, disse  todas essas coisas que nós mulheres gostamos de ouvir, principalmente quando acreditamos na amiga emissora da mensagem. 
   Olhando no espelho...ri e ela não entendeu, ri ao descobrir que o  título escolhido na noite anterior para a minha próxima postagem, invadiu nossa conversa, sutilmente tomou espaço e foi se apresentando. Foi aí que inverti o processo, parti das nossas reflexões, eu e Mara pensamos juntas esse texto.
   Confesso que quando escrevi a palavra ESPELHO pensei exatamente no momento reflexo. Visualizei a  imagem apresentada, às vezes irreconhecível a nós mesmas. Nas marcas da idade não observadas pela correria do dia a dia, quando o tempo escasso não nos permite ficar na frente de um. De repente se descobrem linhas fincadas,  gritando que o tempo passa.  Lembrei que já encontrei cravos escondidos dos olhos que não se fixam, talvez por não querer ver, ou quem sabe por já saber o que vou encontrar, quem está ali no momento do reflexo. Olho de novo, me reconheço de acordo com o olhar que lanço, com a minha expectativa, fico imaginando se é essa a imagem que as pessoas têm da minha figura. Imagem estampada e não sentida, reflexo de contornos e cores mas sem cheiro, quase que sem vida.
   Mara me ajuda e lembra que somos reflexos, somos espelhos. Isso mesmo, concordo imediatamente. Lembrando os pequenos imitadores que temos em casa, filhos que sem perceber perpetuam nossos gestos, maneira de falar, trejeitos, mesmo que mantenham sua identidade. Filhos que agem na vida através do reflexo do que somos. Lamentavelmente, alguns são obrigados a negar a imagem, por não considerarem as atitudes dos pais como positivas. Por isso, precisamos cuidar desse ser  espelho na nossa família, para podermos refletir belas imagens. Difícil tarefa de não quebrar, não apresentar ranhuras ou rachaduras que possam vir a distorcer a figura, tipo espelho de parque, aquele que engorda ou emagrece. Ficamos tortos, pequenos, não somos nós mesmos.
   Seguindo essa linha de protagonistas de vidas, não posso deixar de pensar também no professor espelho, refletindo através do seu trabalho a alegria de se ter conhecimento. Espelhos tão nítidos para os pequenos que ingressam na escola. O mais interessante é perceber que quando esses alunos vão se tornando adolescentes, seus professores espelhos vão desfocando e embassando como aquele do banheiro após um banho quente.  Quantos professores, jovens espelhos estão precisando que seja passada a toalha, fazendo retornar a imagem clara do ser adulto.  Quantos professores podendo ser referência e apoio.  Sem entender que esses jovens alunos,  só querem  parar em frente e se arrumar, se arrumar para a vida.
   Mara e eu tivemos uma conversa curta, daquelas da hora do cafezinho mas, como valeu a pena! Nesse momento senti viva a importância da amiga, confiança em se permitir ser ouvida com todos os seus medos e ansiedades presentes no dia a dia.. Troca - esta foi a ação.  Até porque pude ver refletido nos nossos pensamentos as imagens que passamos a enxergar através dos nossos próprios espelhos, só que essas vestidas de emoção, maquiadas com a doação de idéias e penteadas com os valores que se misturaram, e estão aqui, nesse humilde espaço do meu blog.


 

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ser Mulher....Sou Mulher!




Esse é um tema que mexe muito comigo!!!
 Não digo isso,  só pela minha condição feminina, mas por tudo que fui aprendendo, assimilando e deixando crescer dentro de mim  sobre o SER MULHER. 
Histórias loucas de luta e avanços a passos leves, atropelados, disfarçados,  tentando não acordar os que dormem pesado.
Penso que o mais importante é poder reconhecer  todas as minhas contradições e, apesar delas ser feliz. Vivencio uma história de dúvidas e mesmo assim,  invisto nos sonhos que borbulham e de repente explodem como caminhos que não tem mais como deixar de trilhar.
 Sei que sou uma pessoa repleta  de incertezas, por isso vivencio momentos de  alegrias e tristezas. Muitas vezes me dou conta do meu autoritarismo outras da minha submissão, controvérsias da vida em vida. Sinto tudo e nada, sou poderosa e fraca, assumindo todos os personagens cobrados pela rotina do dia a dia. Lavo louça, escrevo texto. Viro criança, me sinto velha. Olho no espelho, não quero me ver. Preciso enxergar as marcas com prazer, transformá-las em lições.
Gosto de abraçar as pessoas, marcar ponto, marcar tempo, marcar passo. Sou capaz de desmoronar com a cena da novela e dizer aos filhos pra serem fortes, pois o amanhã será melhor.  
Eternizo meu grande amor, namoro, possuo, peço perdão, perdoo, simplesmente amo.
Percebo as tantas  forças que existem dentro da mulher, às vezes penso que as fraquezas mergulham e só saem do fundo para buscar ar, para provar que somos humanas. Humanas como os homens, seres da mesma raça, com a mesma formação e informação no meio do todo.  Por vezes tolos. Sentimos as dores como qualquer homem, não as do parto, essas são nossas, só nossas. Mesmo assim, as desejamos, pois nos trazem a imaculada maternidade.
Divididas e multiplicadas, quando somos invejosas, malcriadas, ironicas, debochadas, as famosas mal amadas. Quantas verdades, quantas mentiras. Construção de vida, reconstrução. Amizades queridas, outras feridas, melhores amigas se vão. Outras continuam e vão continuar sempre a existir, através dos telefones, dos emails, dos faces. Queridas, calorosas, amigas saudosas.
Me vejo aqui, com minhas reflexões e intenções de descobrir o ser mulher, poderia utilizar muitas palavras do meu vocabulário, ou mesmo desconhecidas. Mil facetas, confusões, erros, acertos, desistências. Vida em abundância, em relutância por aquilo que não se quer mais. Ser mulher fraca, frágil, cega, aquela que se nega. Nega a vida, a oportunidade por estar ferida. Precisa levantar, acordar, descobrir o novo ar. Descobrir-se enquanto mulher, sem se cobrar. Razão e emoção, emoção e razão, a ordem já não me importa mais, descobri o quanto sou importante -
 SOU MULHER - isso já me satisfaz!!!